Batatais, com seus belos jardins!

População estimada 2016: 61.040

Área da unidade territorial 2015 (km²): 849,526

Densidade demográfica 2010 (hab/km²): 66,48

Código do Município: 3505906

Gentílico: batataense

Prefeito 2017: JOSE LUIS ROMAGNOLI

A cidade de Batatais está situada a 355 km da capital. É conhecida por suas belas paisagens, opções culturais, de lazer e de história.

Se você gosta de arte, você poderá encontrar o maior acervo de obras sacras de Cândido Portinari, grande pintor do modernismo brasileiro, na Igreja Matriz. Procura uma bela paisagem? Experimente conhecer o Lago Artificial “Ophélia Borges Silva Alves”, no centro da cidade e o Santuário do Senhor Bom Jesus da Cana Verde, conhecido como o marco inicial da cidade, construído em 1893, com arquitetura em estilo neoclássico.

Para os amantes de história, o Museu Capitã Altamira conta com rico acervo que conta a história da II Guerra Mundial. Destaque para a coleção de fotografias, documentos, livros e outros objetos, bem como o Museu Washington Luís, na Estação Cultura José Olympio. Espaços que preservam e mantem a história viva.

 

História

Existem pelo menos quatro versões históricas para o significado do nome Batatais. A versão mais aceita é baseada em relatos da época e está ligada a atividade agrícola dos habitantes naturais da região. Os primeiros bandeirantes teriam encontrado por aqui extensas plantações de batatas roxas.

Outra versão seria a que havia índios na região e Batatais deriva de BAITATA, que segundo alguns pesquisadores locais significam em tupi “rio cascateante entre pedras”, referencia às nossas belezas naturais. Acredita-se também que outra origem viesse do tupi MBOITATA – cobra de fogo, que na crença dos índios, era o gênio que protegia os campos contra os incêndios.

Estudos recentes de um historiador local, atenta para mais uma possível hipótese: Batatais ou Batatal era uma expressão usada pelos minerados antigos que designavam o local onde se achava ouro de superfície. Como esta região fazia parte do caminho para Goiás, há a possibilidade que a cidade servia de pouso para esses viajantes.

Origem

As primeiras notícias que se tem da região onde fica Batatais são do final do século XVI. Entre 1594 e 1599, os “Afonso Sardinha” – tanto o pai como o filho – e João do Prado alcançaram as margens do Rio Jeticaí, hoje Rio Grande. Nessa marcha, provavelmente atravessaram a “Paragem dos Batatais”, então habitada pelos índios caiapós.

A região foi também visitada por Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhangüera. Em busca de ouro, que acabou encontrando em 1725, em Vila Boa, Goiás, seguiu as trilhas indígenas, que passaram a ser conhecidas como Caminho dos Guaiases.

Após a descoberta de riquezas em Goiás, o Caminho dos Guaiases atraiu muita gente. Para legitimar a posse dessas terras, foram concedidas sesmarias e estabelecidas numerosas fazendas, pertencentes a paulistas, em sua maioria vindos de São Paulo, ltu, Santos e São Vicente, já que o Caminho se tornou uma parada dos bandeirantes rumos às minas de ouro de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

O nome Batatais aparece em documentos legais justamente na doação de uma sesmaria com esse nome, em 5 de agosto de 1728, pelo Governador da Capitania de São Paulo, Antônio da Silva Caldeira Pimentel, a Pedro da Rocha Pimentel.

Pouco depois, no começo do século XIX, havia 15 posses de sesmarias na região que hoje é chamada de Batatais. Elas foram se dividindo, dando origem a fazendas. Em 1801, Batatais era um povoado de meia dúzia de casas humildes. Nove anos depois, já tinha um pequeno cemitério e recebia o nome de Arraial de Batatais, e em 1814 já existiam capelas e povoados na região.

No dia 25 de fevereiro de 1815, o capitão-geral da Capitania de São Paulo, atendendo os desejos dos moradores do Arraial de Batatais, levados ao Bispo de São Paulo, pediu ao Príncipe Regente, futuro Dom João VI, que o Arraial dos Batatais fosse elevado à categoria de Freguesia de Bom Jesus da Cana Verde.

O Príncipe Regente atendeu ao pedido e o local foi transformado em freguesia, sob a proteção do Senhor do Bom Jesus dos Batatais, incluindo territórios situados entre os Rios: Pardo e Sapucaí. A igreja matriz ainda não estava construída e os habitantes improvisaram a construção de um templo de madeira, muito rústico e sem conforto, que tinha como pároco o Padre Manoel Pompeu de Arruda.

Quando o Padre Manoel Pompeu de Arruda faleceu, foi substituído pelo Padre Bento José Pereira, que, descontente com aquela primeira igreja tão precária, consultou seus paroquianos e pediu ao Bispo de São Paulo, Dom Matheus de Abreu Pereira, licença para construir uma nova igreja matriz, que seria edificada em outro lugar.

Dois antigos e ricos moradores da freguesia, Manoel Bernardes do Nascimento, posseiro de Batatais, e Antônio José Dias, posseiro de Paciência, discordaram, uma vez que erguer a nova igreja às margens do Ribeirão das Araras contrariava os seus interesses pessoais. Organizaram um abaixo-assinado de cem moradores e queixaram-se ao Bispo, que deixou a solução do problema para o Padre Bento.

A situação foi solucionada quando Germano Alves Moreira e sua esposa, Ana Luiza, posseiros de São Pedro e Sant’ana, doaram o terreno necessário, chamado Campo Lindo de Araras, para a construção da nova matriz, em 1822. O Bispo concedeu a licença e os moradores começaram as obras, terminadas em 19 de maio de 1838.

Isso significava que Batatais precisava ter uma Câmara Municipal e uma cadeia, passando a ser um município com governo próprio. Por isso, a data é celebrada até hoje como o dia do aniversário da cidade.

Antônio José Dias, posseiros da Paciência, discordaram, uma vez que erguer a nova igreja às margens do Ribeirão das Araras contrariava os seus interesses pessoais. Organizaram um abaixo-assinado de cem moradores e queixaram-se ao Bispo, que deixou a solução do problema para o Padre Bento.

A situação foi solucionada quando Germano Alves Moreira e sua esposa, Ana Luiza, posseiros de São Pedro e Sant´ana, doaram o terreno necessário, chamado Campo Lindo das Araras, para a construção da nova matriz, em 1822. O Bispo concedeu a licença e os moradores começaram a obras, terminadas em 19 de maio de 1838.

Para julgar o líder da rebelião que passou à história como “Anselmada”, ocorrida em Franca, o governo provincial criou nova Comarca, composta pelos termos de Mogi Mirim e Vila Franca do Imperador, sendo então a Freguesia de Batatais elevada à categoria de Vila e cabeça deste último termo conforme a Lei nº. 128, promulgada em 14 de março de 1839.

Isso significava que Batatais passou a ser um município com governo próprio. Portanto, a data é celebrada até hoje como o dia do aniversário da cidade.

 

Estância turística

Batatais é um dos municípios paulistas considerados estâncias turísticas pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do Estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de estância turística, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais. Recebeu esse título em 23 de dezembro de 1994 através da Lei Estadual 8.993. Dentre as atrações turísticas, se destaca as obras do pintor Cândido Portinari, com seu maior acervo sacro, entre pinturas e afrescos, está exposto na Igreja Bom Jesus da Cana Verde, centro da cidade, situada a 16 quilômetros de sua cidade natal, Brodowski. São 23 obras, incluindo 2 retratos: Os Milagres de Nossa Senhora; Via Sacra (composta de 14 quadros); Jesus e os Apóstolos; A Sagrada Família; Fuga para o Egito; O Batismo; Martírio de São Sebastião;

 

Imigração

Batatais é uma cidade com grande tradicionalidade por ter sido um dos focos da imigração Italiana. A cultura bem como a arquitetura e jardinagem são representadas claramente pela influência europeia. A maior parte da população corresponde a descendentes de Italianos, em comemoração a isso, é comemorada todo ano a Festa de San Genaro, uma festa gastronômica onde são apresentados shows musicais e muitas outras atrações da cultura italiana, além da exposição de fatos históricos e famílias ligadas as embarcações de imigrantes.

História Política

O certo romantismo que envolve as histórias da Fazenda Macaúbas encontra seu lado político e prático na trajetória de Washington Luis, que foi prefeito de Batatais, presidente da chamada República Velha.

Deposto por Getúlio Vargas, que implantou o Estado Novo, Washington Luis foi obrigado a viver no exílio na França e nos EUA, e teve a sua trajetória bastante desvalorizada na história brasileira devido ao serviço de propaganda de Getúlio Vargas.

É interessante, portanto, retomar a história de Washington Luis Pereira de Souza. Nascido em Macaé, Rio de Janeiro, em 1870, era filho do Tenente Coronel Joaquim Pereira de Souza e de Florinda Sá Pinto Pereira de Souza. Estudou no Colégio Pedro II, na cidade do Rio e, em 1889, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, no Largo de São Francisco.

Em 1891, tornou-se bacharel em Direito e foi nomeado Promotor Público da cidade de Barra Mansa, no Rio de Janeiro. Como o cargo era mal remunerado e ele não conseguia transferência para um lugar melhor, Washington Luis aceitou o convite do ex-colega de faculdade Joaquim Celidônio dos Reis Júnior para trabalhar em seu escritório de advocacia, em Batatais, atendendo os processos que envolviam os ricos proprietários de fazendas de café da região. O nome Batatais aparece em documentos legais justamente na doação de uma sesmaria com  esse nome, em 5 de agosto de 1728, pelo  governqaador da Capitania de São Paulo, Antônio da Silva Caldeira Pimentel,a Pedro da Rocha Pimentel.

Desde a juventude, portanto, Washington Luis esteve envolvido com os grandes cafeicultores de São Paulo. Em 1894, por exemplo, redigiu o Código de Posturas ou Leis de Batatais. Tudo o que teve de estudar para isso foi fundamental para facilitar a sua compreensão das necessidades de melhoramentos do município.

Uma medida polêmica, por exemplo, foi a exigência para que as moradias seguissem as normas do Código, com o objetivo de que a cidade tivesse uma urbanização organizada. Cada proprietário tinha de construir a sua calçada, e foram tomadas providencias para reduzir o número de buracos, facilitando o fluxo rápido de carroças, carros e outros veículos.

Por esse tipo de iniciativa, Washington foi eleito vereador em 1895. Tomou posse no ano seguinte, destacou-se como um intransigente defensor da autonomia do município, onde as pessoas moram e precisam de todos os serviços do Poder Público.

Em 1897, após ocupar a Presidência da Câmara, renuncia ao cargo devido a pressões políticas, mas logo é indicado para intendência Municipal, cargo semelhante ao do prefeito atualmente. Eleito, lutou pela implantação da água encanada, pelo sistema de esgoto e pela ampliação do calçamento. Combatia ainda os cães, cavalos, vacas, cabras e porcos que peregrinavam, sem dono, pela cidade e verificava que, nessa situação, a saúde pública não poderia ir bem, com focos de epidemia de varíola e febre amarela.

Faltava, ainda, a criação de um sistema de esgoto que não contaminasse o solo, e não pusesse em risco a higiene pública. Para tanto, precisava-se de mais dinheiro. A solução foi encontrada em Ribeirão Preto, que estava realizando o seu sistema de esgoto e, por isso, vendia mais barato o anterior.

Assim, Batatais adquiriu um sistema de fossas móveis. Os resíduos eram removidos em carroças comuns, inteiramente revestidas de zinco, que recolhiam os baldes acoplados a um sistema que lembrava um vaso sanitário, mas que poderia se ajustar a qualquer local. Foi implantado também um serviço regular – de três em três dias – de remoção dos ejetos das moradias.

As vias públicas passaram a serem limpas regularmente e os animais que vagavam livremente pelas ruas passaram a ter dois destinos: os maiores, como vacas e cabras, eram levados para o curral da então prefeitura, enquanto os cães vira-latas eram exterminados, porque ameaçavam a população com a transmissão da hidrofobia, conhecida popularmente como raiva.

No final de 1897, as ruas receberam placas com os seus devidos nomes e as casas ganharam números, facilitando o trabalho dos carteiros. No ano seguinte, Washington Luis estabeleceu um teto máximo nas corridas dos cocheiros – que praticavam preços abusivos – e enfrentou uma greve da categoria. Também foram construídos um novo matadouro, um novo mercado e uma nova cadeia.

Além disso, houve reforma do teatro, foi comprado um prédio para instalação do Paço Municipal e o sistema de iluminação pública foi trocado e ampliado. Washington Luis participou também, em 1899, com outros advogados de Batatais da criação da “Assistência Judiciária para proteção e defesa de presos pobres”, sendo o primeiro presidente dessa entidade.

Como município vivia em condições precárias, era necessário fazer quase tudo e Washington Luis começou por uma reforma administrativa, precisava arrecadar dinheiro para ter como pagar as melhorias que desejava implementar. Para isso, criou novos impostos e cobrou judicialmente – inclusive de um vereador que o apoiava- que estava devendo aos cofres públicos.

Em 1897, Washington Luis retomou a canalização da água do córrego dos peixes, contratando, com esse objetivo, o engenheiro José Niederkruker. Para o sucesso obtido na missão, foi importante o dinheiro conseguido do Estado, graças ao auxilio de um famosos filho de Batatais, Altino Arantes.

Além de Washington Luis outros nomes também fizeram parte da história política de Batatais, entre eles: Altino Arantes e Afonso Celso Garcia da Luz.